quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Em Brasília, paredes são de vidro
No dia 17 de julho de 2007 um acidente aéreo com o vôo JJ3054 da TAM em Congonhas deixou 199 vítimas fatais. Logo procurou-se os responsáveis pela tragédia. O governo foi acusado pelo descaso com o sistema de gestão aéreo e a falta de condições da pista como uma suposta falha mecânica no avião. Tudo divulgado a todo momento. É na noite da divulgação desta falha pelo Jornal Nacional que o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia e seu assessor Bruno Gaspar fazem gestos obscenos no Palácio da Alvorada. Lá embaixo, uma câmera da Rede Globo, posicionada para uma entrada ao vivo na programação capta a ação.
Mais tarde, o Jornal da Globo apresenta o ocorrido. Os gestos são tidos como comemoração. Um desrespeito aos famíliares, vítimas e à população. O assessor Marco Aurélio respondeu ao vazamento de sua imagem. E a culpa era da mídia. Ele disponibilizou seu cargo. A repercussão ainda arrasta o Ministro da Defesa Waldir Pires que também deixa o cargo, influenciado pela crise aérea. Assume Nelson Jobim.
No mundo, o gesto obsceno é noticiado pelo Repórter sem fronteiras, Financial Times,
reportagem em horário nobre no canal francês France 2, no The New York Times, El Clarín que descreve o gesto e seu significado moral e a BBC.
Claramente, a busca destas imagens evidencia a disputa de audiência em que os casos mais curiosos têm destaque para a população. Nestes casos, é legítimo divulgar imagens obtidas por acaso?
Maximizar um fato negativo também pode ser um refúgio para as notícias de sempre. Enquanto os laudos técnicos não ficaram prontos não só a Rede Globo, mas todos estiveram todos os dias atrás de detalhes. Segundos que encheriam a edição do dia.
Há ainda outras questões que ainda não foram respondidas. É notícia? Houve invasão de privacidade? A reportagem contribuiu para o entendimento das causas do acidente? A população ficou mais bem informada sobre a crise aérea? Reproduziu o ponto-de-vista do governo sobre essa questão? O seminário pode auxiliar a encontrar algumas respostas possíveis.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O que não era para ser notícia: imagens que vazaram
Escolher como tema imagens que vazaram nos meios de comunicação foi um desafio interessante. Primeiro, ao decidir pelos três fatos analisados, a decisão de que as coberturas televisivas seriam nosso foco esteve baseada no pensamento que circula entre as reflexões sobre a mídia de que a TV somente noticia superficialmente o cotidiano. E logo encontramos casos bizarros e outros em que o espetáculo não programado tornou-se referência para a opinião pública.
Pensamos também no impacto que estas imagens poderiam causar durante a apresentação e despertar o interesse num debate, seja presencial ou através dos blogs. Neste momento surgiram idéias. O caso do acidente em Congonhas, os erros de Bush em seus discursos, o caso Ricupero, a morte de Saddam Hussein e a pérola do presidente Lula mastigando mamonas foram relembradas. Seguimos a lógica de falar de assuntos políticos ou até policiais. Lembramos os Richthofen.
A proposta sempre foi de abordar os acontecimentos em que a mídia exerceu mais do que o papel de divulgadora, mas também de sua participação na construção do final dessas histórias. Casos em que a vigilante passou a participar da notícia.
Momentos em que os meios de comunicação puderam estruturar uma imagem da realidade social, percebida como o real e que ajudaram a moldar e fomentar opiniões. A possibilidade da criação de uma narrativa própria apresentada aos telespectadores como possível verdade.
Em um estudo sobre escândalos, John Thompson ressalta as maneiras como as pessoas comuns assistem a escândalos midiáticos, e o tipo de importância que lhes atribuem, pode não coincidir com a maneira como esses acontecimentos são vistos pelos indivíduos e por quem trabalha na mídia.
Assim mesmo sendo companheiros, os meios de comunicação podem aterar o curso de um fato e provocarem efeitos colaterais mais poderosos que a mensagem pretendida. Isso porque as pessoas recebem essas informações de acordo com o roteiro (contexto) de suas próprias vidas.
Os resultados dessa influência podem ser divertidos, inesperados ou perigosos. O que contemplaria o poder entregue pela população aos veículos transmissores de informação: a credibilidade.
O jornalista Mário Rosa no livro A era do escândalo pensa que o escândalo serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo. Ao denunciar determinadas práticas, o jornalismo se legitima como agente de vigilância das instituições.
Acompanharemos três casos: os gestos obsecnos de Marco Aurélio Garcia, a parabólica de Ricupero e a farsa de Suzane Richthofen no Fantástico.
Pensamos também no impacto que estas imagens poderiam causar durante a apresentação e despertar o interesse num debate, seja presencial ou através dos blogs. Neste momento surgiram idéias. O caso do acidente em Congonhas, os erros de Bush em seus discursos, o caso Ricupero, a morte de Saddam Hussein e a pérola do presidente Lula mastigando mamonas foram relembradas. Seguimos a lógica de falar de assuntos políticos ou até policiais. Lembramos os Richthofen.
A proposta sempre foi de abordar os acontecimentos em que a mídia exerceu mais do que o papel de divulgadora, mas também de sua participação na construção do final dessas histórias. Casos em que a vigilante passou a participar da notícia.
Momentos em que os meios de comunicação puderam estruturar uma imagem da realidade social, percebida como o real e que ajudaram a moldar e fomentar opiniões. A possibilidade da criação de uma narrativa própria apresentada aos telespectadores como possível verdade.
Em um estudo sobre escândalos, John Thompson ressalta as maneiras como as pessoas comuns assistem a escândalos midiáticos, e o tipo de importância que lhes atribuem, pode não coincidir com a maneira como esses acontecimentos são vistos pelos indivíduos e por quem trabalha na mídia.
Assim mesmo sendo companheiros, os meios de comunicação podem aterar o curso de um fato e provocarem efeitos colaterais mais poderosos que a mensagem pretendida. Isso porque as pessoas recebem essas informações de acordo com o roteiro (contexto) de suas próprias vidas.
Os resultados dessa influência podem ser divertidos, inesperados ou perigosos. O que contemplaria o poder entregue pela população aos veículos transmissores de informação: a credibilidade.
O jornalista Mário Rosa no livro A era do escândalo pensa que o escândalo serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo. Ao denunciar determinadas práticas, o jornalismo se legitima como agente de vigilância das instituições.
Acompanharemos três casos: os gestos obsecnos de Marco Aurélio Garcia, a parabólica de Ricupero e a farsa de Suzane Richthofen no Fantástico.
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